sábado, 10 de abril de 2021




A Epidemia de 1518


 

Neste tempo de confinamento, muitos de nós descobrimos ou redescobrimos talentos. Eu sou uma dessas pessoas que viu nestes tempos uma oportunidade de dedicar-me a áreas que mais gosto e neste caso específico, é o meu retorno ao mundo dos blogs. 

Sou apaixonada por História e de momento possuo uma Pós-Graduação em História da Arte Contemporânea (ou seja, estou a meio do mestrado). Como tal gostaria de partilhar um pouco do meu conhecimento no mundo virtual. Quero trazer ao meu blog histórias inspiradoras, interessantes e curiosas que marcaram o nosso mundo.

Deste modo, gostaria de começar o meu blog com um fenômeno histórico bastante curioso que até hoje intriga os historiadores. Sabemos que o coronavírus não é a primeira Pandemia a atingir a Humanidade . Desde a peste negra, à gripe espanhola, não é a primeira vez que Pandemias e Epidemias assolam as populações. No início do século XVI, mais propriamente em 1518, uma estranha condição apareceu no seio da sociedade da época. Tudo começou na cidade de Estrasburgo, na França, quando uma mulher chamada Frau Troffea saiu às ruas e começou a dançar sozinha, sem qualquer tipo de acompanhamento musical. Inicialmente, aqueles que estavam ao seu redor, começaram a bater palmas e a achar graça aquela situação. No entanto, pouco a pouco a população começou a entrar na dança sem conseguir controlar esse impulso. Não se tratava de movimentos sem sentido mas sim de passos de dança que teimavam em obrigar o corpo àquele bailado sem fim. A epidemia continuou a manifestar-se em torno de quatro a seis dias e uma semana depois, outras trinta e quatro pessoas já integravam esse movimento. Após um mês havia por volta de quatrocentos bailarinos nas ruas e várias dessas pessoas acabaram por perecer de ataques cardíacos, derrames cerebrais e exaustão extrema. 

No sentido de cessar com a dança mortal, os líderes da cidade optaram por contratar músicos na esperança de ser um incentivo ao fim da epidemia. Infelizmente acabou por ser pior a emenda do que o soneto e tudo isso intensificou o efeito da dança, sendo ela mais rápida e mais mortífera. Físicos, astrônomos, sacerdotes, todos tentavam achar uma explicação para esta rara condição. Para os físicos, esta enfermidade era provocada pelo excessivo aquecimento do sangue no cérebro , deram-lhe o nome de doença do "sangue quente" e recorreram a uma prática usual da época, as sangrias. Mostrando-se ineficaz o tratamento das sangrias, acreditavam que o problema só poderia estar relacionado com os pecados do povo e como tal proibiram todo o instrumento musical, o que continuou a revelar-se incapaz de conter o surto. Por fim, decidiram levar todos aqueles que estavam acometidos pela dança, ao santuário de São Vitus onde gradualmente foram sendo curados. 

Este não foi o único surto de dança colectiva involuntária da história, este facto bizarro ocorreu também em outros lugares na Europa, sem ter uma explicação definitiva, apesar das várias hipóteses apresentadas ao longo do tempo, como o Tantrismo que seria um envenenamento por picada de uma tarântula ou de um escorpião, hipnose colectiva, possessão demoníaca, convulsões, entre outros. Uma das explicações mais aceites actualmente é a da Histeria Colectiva causada por uma grande privação de alimentos. 

Na gravura apresentada acima, vemos três mulheres afectadas pela praga. Esta imagem foi baseada num esboço do artista Pieter Bruegel que supostamente presenciou um surto no ano de 1564 em Flandres. 

A Epidemia de 1518   Neste tempo de confinamento, muitos de nós descobrimos ou redescobrimos talentos. Eu sou uma dessas pessoas que viu nes...